Mar de lama: Dilma manda "aliviar" para Sarney

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Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Ex-secretária da Receita Federal demitida por Lula conta os podres do governo.

Do jornal Folha de São Paulo de domingo (09/08/2009)

A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.

 
A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República. A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.

 
“Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney.” A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer. “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney.”

 
Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação.
Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.

 
No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.
Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.

 
A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela “jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita” e, mais, que a ministra “não se encontrou com ela”. “Não houve a alegada reunião”, escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.

 
Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras.
Lina ficou apenas 11 meses e 10 dias no comando do fisco. Ela disse à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) avisou-a que a ordem para tirá-la do cargo “veio de cima”.

 

A Receita começou a vasculhar o clã Sarney em setembro de 2007. Num desdobramento da Operação Boi Barrica da Polícia Federal, o juiz Ney Bello Filho (1ª Vara Federal do Maranhão) determinou a fiscalização sobre Fernando Sarney, a mulher dele, Teresa Murad, e em três empresas da família: Gráfica Escolar, TV Mirante e São Luís Factoring.
Na ocasião, o secretário do fisco era Jorge Rachid. Um ano depois, em setembro de 2008, o juiz, insatisfeito com o resultado do trabalho dos fiscais, expediu novo ofício à Receita, determinando a ampliação da investigação, sob pena de prisão de dirigentes do órgão. Esse segundo despacho judicial ocorreu já na gestão de Lina, que assumira dois meses antes.

 
Em outubro, a Receita começou a montar um grupo especial de auditores de fora do Maranhão. Conforme a Folha revelou na semana passada, 24 pessoas físicas e jurídicas ligadas direta e indiretamente a Sarney estão sob investigação pelo fisco. No inquérito policial, Fernando Sarney já foi indiciado sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

 
Segundo Lina, semanas depois do início da segunda etapa da fiscalização, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, foi até a Receita falar com ela. Disse que a ministra queria ter uma conversa pessoal com Lina, mas não sabia dizer sobre qual assunto.
Erenice é o braço direito de Dilma. Ficou conhecida no começo do ano passado, após a Folha ter revelado que partiu dela a ordem para a elaboração, por funcionários da Casa Civil, de um dossiê com gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 
A ex-secretária da Receita disse se lembrar que o encontro ocorreu no final do ano passado, mas não da data exata. Prometeu localizar suas agendas, mas afirmou que não conseguiu encontrá-las, pois muitos de seus pertences já estão embalados para a mudança de volta para o Rio Grande do Norte, sua terra natal. A Folha pesquisou todos os dias da agenda oficial de Dilma. Não consta nenhuma audiência com Lina.

 
Na data combinada, Lina disse que foi ao Planalto, que foi recebida por Erenice e que aguardou alguns minutos até ser chamada por Dilma.
A Casa Civil não tem nenhuma ingerência formal sobre a Receita, subordinada ao Ministério da Fazenda.

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9 Respostas to “Mar de lama: Dilma manda "aliviar" para Sarney”

  1. humberto sisley Says:

    essa corja não falha

  2. Juca Bala Says:

    Tem que abrir outro post comentando a pressão do Senador Aloisio Mercadante sobre a Lina Vierira no tocante ao cambalacho tributário da PETROBRÁS !!!

  3. MAIS PODER Says:

    Além de censurar o Estado agora Sarney aparelha a TV , Rádio e Jornal do Senado. Sarney decidiu fazer uma intervenção na Secretaria de Comunicação da Casa,e nomear seu assessor e braço direito Fernando Cesar Mesquita para ser o diretor da área. A informação foi confirmada pelo próprio assessor. Segundo Mesquita, que trabalha há 25 anos com Sarney, a nomeação deve ser publicada até amanhã. Ele vai substituir Ana Lúcia Novelli, servidora de carreira, que estava no cargo desde 30 de abril.

    A assessores, Sarney tem reclamado da cobertura jornalística dos órgãos de comunicação do Senado. Para o senador, por exemplo, as medidas administrativas tomadas para conter a crise interna não têm tido o mesmo espaço que o noticiário referente às denúncias contra ele.

    http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,sarney-intervem-na-comunicacao-do-senado-e-troca-diretor,417002,0.htm

  4. PeTeZona Says:

    Dilma Nega e Lina confirma. Eu prefiro acreditar na que não fez um currículo falso.

  5. nanadaluz Says:

    Ptpetroprivativaram tudo!

  6. Luiz Says:

    Bom, se esse site é a favor da empresa, imagina o que sobra pro PSDB! Isso aqui é uma filial sem censura da Folha e O Globo!

  7. Vera Says:

    Mais uma dona Dilmente ou demente?????

    Vera

  8. Oliveira Says:

    Dilma sempre trata as coisas de forma política, fazendo tudo do interesse de governo, pisando nas estruturas de Estado em benefício do seu projeto político (como na burocracia que deve ser fiel às políticas de Estado e longo prazo, a exemplo da Receita Federal). Sobre isso e mais recomendo o artigo Dilmadas (http://www.imil.org.br/artigos/dilmadas/), no site do Instituto Millenium. No mais, parabéns pelo blog, imensamente mais barato e real para a população brasileira.

  9. Haddammann Says:

    Que a mãe do Chuck é uma mentirosa descarada isso qualquer mulequim de sinal vê no ato; agora aquela desgraça no pescoço da “súdita” realmente preocupa. O negócio tá assim: Todo mundo sabe que a vigarice tá alastrada, mas como os “fiéis” do Macedo, e dos malafaias, e Rodrigues, e W. Montes, e dos banqueiros batistas; os 80%(?) “fiéis” do mulambo-bêbo-mor (que ri estufado de tanto roubar,e que fica só passeando à nossa custa e botando de longe fogo no circo) admiram a canalhice. É o ponto que a teo-pulhítica leva um povo; um monte só pensa em ser IGUAL aos canalhas; e f***-se tudo. Agora empurram pra próxima eleição um troço vestido de “modelo”; assim é que inventam os que vão “dirigir” uma Nação. Nós aceitamos AINDA essa Palhaçada. Um BraSIL sem homens e sem mulheres,de cartinhas marcadas se degladiando, e nós como um bando de idiotas sem postura civil pra pisar neste solo.

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