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Petroboys eletrônicos

13 julho 2009

Através de um link postado em um dos comentários do post “De cara nova e alma velha” cheguei ao blog Imprensa Marrom, do Gravatai Merengue. O assunto abordado no link é o caso de supostos funcionários da Petrobras que estariam atacando, através da seção de comentários do blog de Merengue, pessoas e partidos políticos, além do próprio blogueiro.

Esse assunto é interessante e merece um pouco de reflexão. Já falei aqui que quando navegamos na internet, temos uma impressão digital que deixa rastros em todo e qualquer site visitados. Chama-se IP, sigla de Internet Protocol. Poderíamos dizer que IP é uma identificação que o servidor que lhe conecta à rede coloca em seu pescoço, uma coleirinha com um número que vai lhe acompanhar durante sua navegação. Sem essa “coleira”, você não entra na rede. Isso permite identificar alguns dados do internauta, como o país ou mesmo cidade de onde partem os dados do mesmo, seu provedor de acesso, e até informações da máquina utilizada, tais como o tipo de browser e sistema operacional. Websites de grandes companhias e importantes portais têm sempre uma nota de rodapé indicando qual a sua política em relação a essas informações. Adiante.

A maioria das ferramentas de gerenciamento de blogs exibe, para o blogueiro, algumas dessas informações. O WordPress, por exemplo, fornece alguns desses dados. Eles vêm em pacotes para uma conta de e-mail que eu tenho cadastrado. Não costumo verificar esses dados nem sequer abri-los, mas vez ou outra sou obrigado a dar uma checada para me certificar se links postados nos comentários são realmente verdadeiros, se levarão os que ali clicarem ao lugar correto. Faço isso por questões de segurança, para evitar que links maliciosos sejam colocados no ar nesse blog. Já até expliquei isso em post passado.

Pois bem, Gravatai fez uma pesquisa para saber de onde estavam vindo alguns ataques que vinha recebendo. Checou os IPs dos seus detratores para ao menos saber de que cidade os ataques partiam. É um direito do blogueiro fazer isso caso se sinta constrangido ou ameaçado. Num caso extremo (uma ameaça de morte, por exemplo), pode até usar esses dados para o pedido de uma investigação policial.

Na sua investigação particular, entretanto, Merengue descobriu algo interessante: Alguns dos comentaristas mais exaltados tinham IPs gerados dentro do servidor da Petrobras. Isso pode significar que são funcionários da empresa, em horário de trabalho, usando computadores da mesma para fazer política partidária de baixo nível. O blog Imprensa Marrom tem como assunto principal a política, e os comentários mal educados eram sempre atacando dentro desse tema. Mais especificamente, comentários de pessoas que defendem o PT irracionalmente.

O que isso significa de importante?

Seria a comprovação daquilo que já abordei aqui, das hordas de militantes que infestam blogs, sites, portais e comunidades sociais fazendo pregação ideológica rasteira. Jornais impressos e outros meios de comunicação também sofrem com isso, através de seus canais de contato com seus leitores/espectadores/ouvintes. É o famoso “aparelhamento” desses canais.

Esse aparelhamento é uma rotina, tão chata quanto os spams que recebemos diariamente nas nossas caixas de correio. Mas é um aborrecimento que faz parte do jogo democrático. O problema acontece quando descobrimos que pessoas empregadas em órgãos públicos usam o horário de trabalho e suas ferramentas para fazer isso. Atitude não republicana e nem moralmente aceita em sociedades com instituições mais avançadas.

Empresas no mundo todo costumam regular o acesso de seus funcionários à internet buscando preservar-se de atitudes do tipo. Um funcionário que usa o computador da empresa para fazer apologia do que quer que seja está, em tese, colocando a sua empresa dentro de uma polêmica que pode ser indesejável. É a mesma coisa que pegar papel timbrado e usar a máquina copiadora da empresa para imprimir manifestos que depois serão distribuídos mundo afora. Imagine a marca da empresa aparecendo, sei lá, na Marcha da Maconha, defendendo o uso dos charutinhos, hehehe.

Eu já havia notado nesse blog comentários vindos do servidor da Petrobras. Porém, como aqui discutimos justamente atitudes da empresa, e o blog é uma paródia do oficial de lá, isso não despertou nenhuma curiosidade adicional. É até salutar que o pessoal de lá venha aqui se manifestar. Mas se existem funcionários que estão freqüentando também outros blogs e espaços, principalmente ligados a questões políticas, sistematicamente defendendo o partido que está no comando aí a coisa é diferente e ganha importância. Seria a confirmação cristalina do aparelhamento político de órgãos estatais que tanto reclamamos.

Ainda bem que nós, que usamos regularmente a internet, acabamos desenvolvendo “faro” para distinguir uma interação sincera de uma manifestação profissional. Assim como spams, essa turma acaba não tendo credibilidade. Muitos desses comentaristas fazem parte de grupos organizados, alguns remunerados, cujo objetivo é somente fazer campanha eletrônica. Se estiverem a serviço de partidos políticos por ideal ou mesmo pagos POR ELES, nada demais. Como já disse, é só chateação. Mas se quem está pagando SOMOS NÓS, indiretamente através do imposto que pagamos para sustentar a máquina PÚBLICA… Aí amigo, pode não! E o blogueiro Gravatai Merengue tem toda a razão em dar visibilidade ao assunto.

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