Posts Tagged ‘CPI’

De casa nova e provisória

9 setembro 2009

Continuo sem maiores informações do WordPress. Porém, aconselhado por pessoas mais experientes acatei a notificação e transferi o blog para esse novo domínio, encerrando as atividades no antigo.

Uma amiga jornalista nos EUA está tentando obter algo mais concreto deles. Também tenho insistido nos contatos via e-mail.

O fato é que venho escrevendo há 3 meses, e só agora, depois de uma revista internacional mencionar o blog e a polêmica do blog clone do planalto ter tomado corpo é que chega essa notificação. Muita coincidência. Pra piorar, o destino colocou como “deadline” do antigo blog a data da comemoração da nossa independência.

A vida continua, mas confesso que um pouco menos colorida.

O puxadinho da Petrobras

26 agosto 2009

Em depoimento à CPI da Petrobras, o gerente-geral de Implementação de Empreendimentos para a Refinaria Abreu Lima, Glauco Colepicolo Legatti, reconheceu que o valor total da obra passou de R$ 10 bilhões para R$ 23 bilhões. Segundo ele, o aumento na previsão de gastos com a construção foi provocado por “indefinições e mudanças” no projeto inicial da refinaria.

 Do UOL Notícias

 

– Seu João, o senhor já terminou as contas do orçamento do meu puxadinho?

– Terminei sim Dona Antonia, tá tudo aqui na cadernetinha, tudo certin.

– Pois é Seu João, meu marido tá aflito, ele quer começar logo a obra, a mãe dele vem aqui morar com a gente, sabe como é, né?

– Ih Dona Antonia! Esse negócio de sogra morando junto, sei não…

– Nah! Eu e Dona Maria nos damos bem Seu João, ela é gente boa. Mas e a conta Seu João? Fala logo homem de Deus!

– Bão Dona Antonia, minhas contas aqui são infalíveis. Esse puxadinho com quarto e banheiro, mais a caixa d’agua de 500 litros e a varandinha pra véia deitar na rede vai sair doze mil Reais, nem mais nem menos.

– Doze mil Seu João! Mas o senhor tava falando em dez até ontem! O Juvenal vai ficar uma arara com esse preço… Sei não… Tá tudo incluso Seu João? Material, mão de obra, entulho, a caixa d’agua, tudo?

– Tudim tudim dona Antonia, pode ficar no sossego.

Oito meses depois…

– Toninha minha mulher, eu vou matar esse pedreiro!

– Faz isso não Juju, tá quase terminando… Calma homem, calma!

– Terminando tá minha paciência e meu bolso Toninha! Já vendi o carro, já não sei mais o que falar pros credores do cartão de crédito, tô ficando louco mulher, tô lascado!

– Mais dois meses amor e sua mãe se muda pra cá, tá na beirinha de acabar, tá no finzinho…

– Mas esse pedreiro falou, escreveu aqui nesse papel de pão, que não ia ficar por mais de quinze mil essa obra, e isso já tem oito meses, O-I-T-O meses! Tô vendo que isso vai passar de vinte mil, e eu vou ter que vender até a geladeira e a nossa TV…  Mulher, vou ter que vender seu fogão de seis bocas, escreve aí!

– Juju, fala isso não, podia ser pior… Veja a Petrobras! Eles falaram que iam gastar 10 bilhões numa obra e agora já tão falando em 23, tão pior que o nosso pedreiro! Calma que pelo menos desvio e roubo aqui em casa tem não. Seu João é atrapalhado com as contas, mas político não é não.

– Deus me livre Toninha, Deus me livre!

Lina Vieira 2 X 0 Governo Lula

25 agosto 2009

Nota de Lina Vieira divulgada hoje, 25 de agosto:

“As duas demissões e os doze pedidos de exonerações dos servidores que integraram a minha equipe, durante o período em que estive à frente da Receita Federal do Brasil, representam um perigoso recuo no processo de fortalecimento das Instituições de Estado do Brasil.

As Instituições de Estado – como é caso da Receita Federal – somente poderão exercer o seu papel constitucional se compostas por servidores que primem pela ética no serviço público, imunes a influências políticas de partidos ou de governos. Os governos passam, o Estado fica e, com ele, os servidores públicos.

Esses colegas são pessoas sérias, de competência inquestionável, cujo único pecado foi o compromisso com um projeto de uma Receita Federal independente e focada nos grandes contribuintes. Natal (RN), 25 de agosto de 2009.
Lina Vieira”

O imbróglio Petrobras X Receita Federal

25 agosto 2009

Diferente do que o governo e fontes da própria Petrobras andam soltando por aí, o imbróglio Receita Federal X Petrobras está longe de ser considerado resolvido. Dentro da receita há técnicos, gente com muitos anos de carreira e serviços prestados ao país, que tem opinião formada contra a manobra contábil aplicada pela nossa petrolífera para recolher menos impostos.

Na CPI, diretores nomeados por critérios políticos defenderam a maneira peculiar com que a Petrobras traduziu as normas tributárias. Falam inclusive em casos semelhantes na grande iniciativa privada brasileira. Fico na dúvida se a Petrobras não estaria dando o mau exemplo.

Não sou um especialista em tributação, mas concluo que, se existe a polêmica dentro da receita, caso encerrado não é. O fato da Petrobras ter estado com problemas de caixa no segundo semestre de 2008 na minha visão poderia ser interpretado até naturalmente, tendo em vista a eclosão da grande crise mundial, com profunda desvalorização do preço do petróleo no mercado internacional.

O que parece é que, por usar politicamente a nossa Petrobras como arma eleitoral, o governo Lula não aceita que a imagem de “sucesso” da companhia seja arranhada por questionamentos legítimos de ninguém, nem por órgãos de Estado.

A Receita questiona alguns métodos de recolhimento fiscal, a oposição questiona o uso do caixa da empresa em assuntos eleitorais e suposta corrupção, o TCU questiona algumas grandes operações de investimentos, a Polícia Federal questiona alguns procedimentos suspeitos criminalmente.

Mas Lula, Gabrielli e o PT não aceitam. Eles se apoderaram de mais de 50 anos de história para fazer dos méritos da Petrobras – que são só da Petrobras – em ativo do partido. Já onde realmente o governo pode ser responsabilizado exclusivamente, a regra é esconder. O caso do pré-sal é típico: Uma pesquisa que vem sendo conduzida há mais de 20 anos, mas por dar resultados práticos agora – na verdade prático mesmo só daqui alguns anos – torna-se carimbada pelo partido como fruto do seu governo.

Claro que ninguém quer proibir Lula de inaugurar com pompas as conquistas da Petrobras, isso é natural de qualquer governante. Mas não podemos aceitar a transformação descarada desses eventos em comícios eleitorais. Muito menos aceitar que haja um desmonte da Receita Federal justamente porque seus servidores de carreira indicam possíveis desajustes na área fiscal da empresa.

Hoje houve demissão coletiva de dirigentes da Receita por não concordarem com a maneira com que vem sendo feita a “tratoragem” do governo sobre o quadro técnico do órgão. Lina Vieira foi só um prenúncio.

É o jeito Lula de governar, misturando sempre política partidária com Estado, não colocando limites em seus subordinados e ele mesmo dando maus exemplos. O fato da CPI estar amordaçada é caso típico. Uma coisa é ter algum controle sobre uma CPI, outra abafá-la completamente.

 

Aloizio Mercadante, caso perdido

19 agosto 2009
Mercadante, seu diploma de doutorado e sua nota de 3 Reais

Mercadante, seu diploma de doutorado e sua nota de 3 Reais

Dilma mentiu quanto ao seu currículo acadêmico, Mercadante também. Pelo menos nesse ponto Lula é o senhor da verdade: Ele faz questão de lembrar que não tem currículo nenhum.

Esperança

31 julho 2009

A reviravolta no caso Sarney, onde o presidente Lula mostra-se agora um defensor menos ardoroso do senador “maranhense” do Amapá, é um sinal de esperança no desenrolar da CPI da Petrobras. Segundo noticiou o jornal O Estado de São Paulo, essa mudança de comportamento do presidente do país se deve unicamente à revelação, por pesquisas encomendadas pelo planalto, do desgaste perante a opinião pública da figura do presidente, incluindo ai o de sua ministra-candidata Dilma Roussef.

Mais uma vez, constatamos a força da opinião pública mudando a história da política real. Sabemos que Lula é altamente sensível a qualquer mudança de patamar de sua popularidade, a segunda maior já conquistada por um presidente no Brasil. No caso específico de Lula, é até uma obsessão, dado que ao menor indício de perda de popularidade – o que é até normal em finais de mandato – faz o presidente se esquecer de condutas responsáveis em questões de gestão pública e parta, sem pestanejar, para medidas populistas custe o que custar.

Mas, deixando essa paranóia presidencial de lado e olhando para o fato pura e simplesmente, o lado bom dessa história é justamente a mudança de atitude por parte dos políticos diante de uma massa descontente e amplificada pela imprensa.

Quando postei um texto saudando a instalação efetiva da CPI da Petrobras, alguns me criticaram pelo teor demasiadamente otimista do título do post. Claro que naquele momento, e ainda agora, tenho a exata noção da dificuldade que será investigar qualquer coisa dentro de uma comissão tão desequilibrada pró-governo. São nove senadores governistas contra apenas três oposicionistas, e ainda temos senadores sem voto, suplentes que chegaram à Brasília por pura deficiência do nosso sistema eleitoral que permite tamanho atraso.

Porém, pegando carona no atual “momento Lula”, que começa a dar sinais que deixará seu neo-aliado Sarney queimar na fogueira das denúncias comprovadas sem um apoio tão descarado, podemos imaginar que, com os holofotes da imprensa acesos e focados no andamento da CPI, o desequilíbrio de forças ali possa amainar.

Nunca é demais lembrar como a CPI do mensalão mudou rapidamente de rumo e produziu um documento que acabou em denúncia contra quarenta mensaleiros e derrubou, na cassação e depois nas urnas, um bom tanto de parlamentares.

Enfim, CPIs, mesmo tão desgastadas com a imagem da pizza assando no forno, quase sempre produzem algum efeito prático. Temos algumas para lembrar: A dos anões do orçamento, que terminou com seis parlamentares cassados e quatro que preferiram renunciar para fugir da punição e da inelegibilidade; A do PC Farias, que terminou com o impeachment de Fernando Collor e até a atual da pedofilia, que produziu leis mais severas para o caso.

Sei que o resultado de todas elas sempre é menor do que gostaríamos, pois o jogo político atua com força e o espírito de corpo fala alto. Mas é mais do que muito político apreciaria, Lula inclusive.

Best-Seller

22 julho 2009

Falcao meninos do trafico

Direto da gráfica do Senado: Falcão, meninos do tráfico de influência

(ler posts abaixo)

Se quiser comprar/ver o original, clique aqui no Submarino.

UNE das mentiras envergonha estudantes de verdade

17 julho 2009

Ontem, quinta-feira, a UNE recebeu o presidente Lula em reunião em Brasília. O assunto oficial era um tal congresso, mas, na verdade, tratou-se de cerimônia para a emissão do recibo das milionárias verbas que o governo federal vem repassando para uma entidade que esqueceu a educação e partiu para a venda de apoio partidário explícito. Como as verbas vêm engordando ano após ano, o acordo comercial UNE-PT-Governo parece estar sendo rentável para os que dirigem a entidade. E o presidente Lula fez questão de ir cobrar pessoalmente que a UNE fizesse direitinho seu papel de cão de guarda remunerado, e promovesse uma ridícula passeata chapa-branca contra a CPI da Petrobras.

Triste constatar que uma organização que representou grandiosamente no passado os estudantes, sempre defendendo um mundo mais justo, agora funcione como um miserável escritório de representação comercial. Deveria, fosse a UNE de ontem, estar pedindo a cabeça de Sarney e não rastejando pró corruptos em troca de ração Frolic.

Por isso e tantas outras que estudantes se afastam cada vez mais dessa entidade, procurando-a apenas para pegar seus crachás de meia-entrada. Participar, debater ou mesmo divulgar uma causa justa tornou-se impossível. Primeiro porque ninguém que tenha bons princípios quer se misturar à política mais canalha que impera lá dentro, segundo porque os donos do cofre da entidade trancaram-se como mafiosos, defendendo apenas a sua estreita e rentável turminha.

Celebridade gosta mesmo é da revista Caras

28 junho 2009

O Sr. Sergio Gabrielli deu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo essa semana e publicada hoje, domingo 28/06 – íntegra aqui. Semana retrasada houve outra entrevista, quase uma coletiva, no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, transmitida a todo o Brasil através da rede de TVs educativas. Li uma e assisti a outra. Nas duas, a percepção que tenho do presidente da Petrobras é de extrema arrogância. O homem não conhece a palavra diplomacia.

Sinceramente, mesmo pesquisando na internet a procura de entrevistas diversas no passado recente, não achei nada parecido a essa postura vindo de um executivo graúdo de empresa que fosse.

Parte da entrevista publicada hoje em que ele coloca um tal de “preconceito contra nordestinos” só porque a imprensa questiona as gordas verbas para festejos regionais intermediadas por ONGs pra lá de suspeitas é seu pior momento. Golpe baixo querendo colocar brasileiros contra brasileiros em defesa de atos que merecem sim investigação.

Alguns poderão achar até válido o posicionamento de Gabrielli, num entendimento de que seria uma defesa aguerrida do seu negócio, da corporação que dirige. Mas por que não temos nada parecido em qualquer outro tipo de conglomerado? O que seria diferente na Petrobras em relação a tantas outras grandes empresas, nacionais ou multinacionais, que daria essa prerrogativa a seu presidente em ser arrogante, raivoso, pouco polido até?

A íntegra da entrevista, como já linkei acima, está disponível na internet. Vou ainda tentar achar uma transcrição do programa Roda Viva para que vocês tenham a oportunidade de analisar também. Gostaria, porém, de pedir a cada leitor desse texto que postasse nos comentários, caso conheça, algum exemplo de dirigente de conglomerado, qualquer que seja, dando caneladas em público iguais as que estamos assistindo protagonizado por Gabrielli. Unzinho só. Eu não achei nada parecido. Se acharem, será com certeza uma exceção.

Gabrielli se diz incomodado com a CPI. Diz que a mesma poderá afetar economicamente a Petrobras, e que apurações do TCU e outros órgãos de investigação já estão prejudicando a companhia. Cumé quié?

Quer dizer que uma investigação legítima do TCU está, segundo suas palavras, atrasando licitações porque funcionários da empresa agora têm que prestar contas? A Petrobras tem 30 funcionários apenas? A sede fica no fundo do quintal da casa do Gabrielli? È de matar de rir tal argumento.

Se só no setor de comunicação trabalham 1150 pessoas – fora os contratados recentemente – ele quer fazer acreditar que o setor jurídico, técnico e outros que provavelmente são acionados para produzir relatórios explicativos de suspeições levantadas pelo TCU ou pelo MPF desestabilizam o cotidiano da mega-super-hiper Petrobras? Estou rindo aqui…

Então significa que montar uma equipe de “crise” de 30 pessoas para acompanhar a CPI e levantar documentos e respostas às inquirições dos senadores também vai atrapalhar a companhia?

A Petrobras tem mais de 75 mil funcionários diretos! Aliás, todos muito bem remunerados, diria até que sobrando em alguns setores (comunicações é um deles). Terceirizados devem passar de 120 mil. Prestar contas à sociedade vai dar trabalhinho é? Vai ser canseirinha?

Insinuar que investigar a empresa é uma maneira de prejudicar a Petrobras é o fim da picada! Qualquer empresa no Brasil, privada, nacional, multinacional ou pública é a princípio alvo de investigação que por ventura pareça necessária, e ponto final!

Se Gabrielli acha que ser alvo de investigação desgasta o sossego de seus diretores e assemelhados, então o que ele diria de uma simples fiscalização da Receita Federal sobre um pequeno comércio? Seria um recado pro dono da bodega gritar “cansei!”, chutar o cesto de lixo e sair arrancando as roupas pela rua?

Vamos pegar como exemplo um simples posto de combustíveis então, já que faz parte do mundo do petróleo. Na estrutura desse posto de abastecimento não existem diretores, coordenadores, nem mesmo assessores de imprensa editando bloguinho. Ali, quando chega um fiscal, ele EXIGE documentos. E o dono do estabelecimento vai ter que se virar pra suprir todas as solicitações LEGÍTIMAS do poder fiscalizador. No máximo, o bravo vai procurar ajuda de um advogado ou contador. E a vida dele e do seu negócio continuam sem maiores problemas. É assim em qualquer cidade do país.

Imaginem também o Sr. Abilio Dinis, dono da CBD (Pão de Açúcar) dando declarações na imprensa peitando senadores e levantando teorias de uma imprensa conspiratória. Seria destituído rapidinho da presidência do grupo, mesmo sendo o controlador. Nenhum acionista ou conselheiro que não fosse miolo mole aceitaria a imagem da empresa que representa sendo arranhada pela impertinência de comentários do tipo. Se fosse caso de executivo contratado, como um Carlos Gosh, da Renaut-Nissan, decerto seria bilhete azul, no ato!

Mas Gabrielli se acha DONO da Petrobras! Não se enxerga como um executivo que está lá para dar, polidamente, satisfações à sociedade, aos acionistas, aos empregados e aos órgãos legítimos de fiscalização e controle. Um presidente de empresa é o porta-voz de toda companhia perante a sociedade, não de si mesmo. É dirigente, não celebridade.

Gabrielli está transformando em briga pessoal uma coisa natural numa sociedade democrática e republicana. Fazer CPI é uma das atribuições do poder legislativo e todo cidadão, do nível que for, tem que aceitar isso. Se existe medição de força política no caso (e toda CPI tem política embutida, é do jogo), caberia ao presidente da Petrobras ficar bem longe dessa cumbuca. Se alguém se acha no direito de gritar contra a imprensa e fazer manobras protelatórias contra a CPI, no meu entender essa tarefa seria dos partidos da situação, assumindo inclusive o desgaste dessas atitudes perante a opinião pública. Já a empresa tem que ser diplomaticamente preservada por seus responsáveis, sempre.

Isso só corrobora a tese de que, antes de ser presidente da Petrobras, Gabrielli é quadro do PT, e que os interesses do PT estão acima dos da Petrobras. É essa a leitura que qualquer ser pensante e sensato faz do quadro atual. E quem perde com essa atitude é a própria Petrobras, que vai arranhando sua imagem graciosamente perante a opinião pública nacional, quiçá no mundo todo, já que parece atuar como apêndice de partido político.

Ex-segurança de Lula atua na Petrobras por movimentos sociais

23 junho 2009

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

Envolvido no caso do dossiê contra tucanos, da eleição de 2006, José Carlos Espinoza trabalha no setor de comunicação, em SP

Petista comandou gabinete paulista da Presidência e foi um dos mais próximos auxiliares do presidente; petrolífera é alvo de CPI

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas, José Carlos Espinoza trabalha, desde abril de 2007, na sede da Petrobras em São Paulo.
A Petrobras é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que ainda aguarda sua instalação no Senado.
Espinoza fica no setor de Comunicação Institucional da sede paulista da empresa, mas afirma que sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Ele é terceirizado, contratado pela empresa Protemp, sediada em Santo André.
O diretor de Comunicação da Petrobras é Wilson Santarosa, que tem ligações históricas com PT e movimento sindical. Espinoza é um dos 1.150 profissionais da comunicação da Petrobras, segundo quem ele foi contratado pela “vencedora da licitação para serviços de apoio profissional suplementares às atividades de comunicação”.
Durante a campanha eleitoral de 2006, Espinoza se afastou do gabinete da Presidência para exercer, no comitê de Lula em São Paulo, a função de encarregado da agenda do então candidato à reeleição.
No meio da campanha, foi citado no escândalo da compra do dossiê contra tucanos. Segundo a revista “Veja”, ele se reuniu na sede da superintendência da Polícia Federal com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência, e Gedimar Passos, assessor da campanha, implicados na compra do dossiê. Na época, a PF e os envolvidos negaram o encontro.
Ainda em 2006, após a prisão dos envolvidos na compra do dossiê, a Folha revelou que o apartamento de Espinoza serviu de local para um encontro entre Freud Godoy e Paulo Ferreira, tesoureiro do PT.
Espinoza deixou o cargo no gabinete presidencial depois do caso do dossiê. Ele afirma que pediu a saída por razões pessoais. “Disse que não queria ficar mais no escritório da Presidência, por motivos pessoais”, disse ontem à Folha.
Questionado sobre como surgiu a oportunidade de trabalhar para a Petrobras, afirmou: “Por conta exatamente do meio de campo que foi pedido para eu fazer entre os movimentos sociais e a Petrobras. Conheço o José Rainha [dirigente do MST], o presidente da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar]”.
Ele disse que tinha vontade de trabalhar na área do biodiesel e conversou com algumas pessoas do governo, entre elas Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Informou que hoje acompanha um projeto no Pontal do Paranapanema e um em Mato Grosso.
Por conta da CPI, entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) fizeram atos de apoio à Petrobras em vários Estados e acusaram a oposição de querer privatizar a empresa. Espinoza esteve em um desses atos, em São Paulo.

Reportagem do Jornal Folha de São Paulo de 23/06/09 (na íntegra)

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Repetindo: Princípios Éticos do Sistema Petrobras:

6. O mérito é o critério decisivo para todas as formas de reconhecimento, recompensa, avaliação e investimento em pessoas, sendo o favorecimento e o nepotismo inaceitáveis no Sistema Petrobras.