Posts Tagged ‘desvio’

Show dos Milhões

21 julho 2009

(leiam antes o post anterior)

Pois é, tanto a tal Guanumbi como a RA Brandão, empresas que prestam serviços os mais variados e fecharam contratos milionários com a Petrobras não aparecem na busca do GOOGLE com suas respectivas homepages (sites) na internet.

É estranho, pois tenho um amigo que tem uma minúscula empresa de assistência técnica (deve faturar, sei lah, uns 4 mil reais por mês) e ele TEM site na internet. Sabem por que? O meu amigo PRECISA de clientes para poder faturar. Uma empresa que não se mostra, que não tem nem mesmo uma homepage, é porque não PRECISA de clientes não é? Deve ser por isso que as tais RA Brandão e a Guanumbi não se mostram ao público. Estão com um CLIENTÃO no bolso. Como chegaram ao tal clientão, aí são outros quinhentos.

Vejam que achei até o site de uma academia de artes marciais com nome parecido – Dojo-Guanumbi – vizinho da tal RA Brandão “Corporation” e Guanumbi “Associates”. Uma pequena academia do bairro TEM website, os “associates” acima não tem.

Interessante também foi pesquisar no site de registro de domínios de internet do Brasil, o REGISTRO.BR (do CGI-Br). Ali, na data de hoje (21/07/2009), os nomes GUANUMBI.com.br e RABRANDAO.com.br (ou ainda RA-BRANDAO.com.br) estão disponíveis para quem quiser registrar. É só pagar a taxa de TRINTA REAIS e pronto, o domínio é seu. O tal Raphael de Almeida Brandão pode ser um gênio empresarial ao conseguir contratos tão substanciosos com a Petrobras, mas nem se deu ao trabalho de REGISTRAR suas marcas na internet brasileira. Bem fundo de quintal mesmo…

 RA brandao registro dominios

Meu amigo técnico de informática e o dono da academia de bairro foram atrás rapidinho do registro de seus estabelecimentos na internet – pois precisam aparecer – já o tal Raphael Brandão (Brandão… eita nominho que tráz más lembranças hehehehe)  não liga pra essas coisas de marketing básico, sacumé. Mas é um gênio dos contratos milionários com uma estatal.

Dando uma olhada no google earth, pode-se visualizar o local onde funcionam as duas empresas: Uma área aparentemente residencial como pode se constatar, com muitas casas com piscina e mata. Não sei exatamente qual dessas casas é a do amigo petrobraseiro, mas é dentro desse raio. Espero que as superempresas não estejam derrubando mata de preservação.

 satelite guanumbi

Abaixo outra curiosidade. Pegando o CNPJ da RA Brandão Produções artísticas, vemos que a empresa é realmente bem eclética nas suas capacitações: Vai desde Outras atividades de prestação de serviços de informação não especificadas anteriormente” até a “gravação de carimbos” (????).

 ficha RA Brandão receita federal

Ela também está registrada como “empresa individual”, ou seja, é empresa de um dono só, não é nem mesmo uma sociedade Ltda. Segundo um contador consultado, é incomum que empresas individuais sejam contratadas por valores tão altos e regularmente por grandes empresas, pois a legislação trabalhista é dúbia em relação a essa modalidade empresarial solitária, colocando em risco quem as contrata, enxergando nisso um vínculo empregatício mascarado. Segundo o amigo contador, uma empresa INDIVIDUAL que receba 75% do seu faturamento regularmente de outra empresa de maior porte já coloca em risco a empresa contratante perante as leis trabalhistas. Que contador abusado esse hein? Dando idéias pro amigo Raphael Brandão… hehehe

A tela acima mostra uma informação pública, porém apaguei alguns dados mais sensíveis para evitar constrangimentos.

 

ALÔ ALÔ funcionários de verdade da Petrobras! Leiam bem o que respondeu o blog oficial sobre o caso para o jornal O Globo: “O gerente responsável pelos pagamentos foi demitido por justa causa, por descumprimento de procedimentos internos de contratação da Companhia. Quanto às informações sobre os serviços realizados não é possível fornecê-las agora (domingo, 19/7)”

E depois não querem CPI. Só com as notícias voando um gerente já foi pelos ares. Se foi, causou prejuízo. De quanto?

Obs: todos os dados apresentados acima estão
disponíveis publicamente na internet.
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Petrobras e Sarney, tudo a ver

9 julho 2009

Petrobras sarney CE

Clipping do portal IG – Último Segundo

SÃO PAULO – A Fundação José Sarney – entidade privada instituída pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), para manter um museu com o acervo do período em que foi presidente da República – desviou para empresas fantasmas e outras da família do próprio senador dinheiro da Petrobras repassado em forma de patrocínio para um projeto cultural que nunca saiu do papel. As informações são do jornal “O Estado de São Paulo”.

Do total de R$ 1,3 milhão repassado pela estatal, pelo menos R$ 500 mil foram parar em contas de empresas prestadoras de serviço com endereços fictícios em São Luís (MA) e até em uma conta paralela que nada tem a ver com o projeto. Uma parcela do dinheiro, R$ 30 mil, foi para a TV Mirante e duas emissoras de rádio, a Mirante AM e a Mirante FM, de propriedade da família Sarney, a título de veiculação de comerciais sobre o projeto fictício.
 
 
 
A verba foi transferida em 2005, após ato solene com a participação de Sarney e do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli. A Petrobras repassou o dinheiro à Fundação Sarney pela Lei Rouanet, que garante incentivos fiscais às empresas que aceitam investir em projetos culturais. Mas esse caso foi uma exceção. Apenas 20% dos projetos aprovados conseguem captar recursos.
O projeto de Sarney foi aprovado pelo Ministério da Cultura em 2005 e está em fase de prestação de contas na pasta. Antes da aprovação, o próprio Sarney chegou a enviar um bilhete ao então secretário executivo e hoje ministro da pasta, Juca Ferreira, pedindo para apressar a tramitação. Em 14 de dezembro, o ministério comunicou que o projeto estava aprovado e, no dia seguinte, a Petrobras anunciou a liberação do dinheiro. Procurada pelo jornal, a Petrobras informou que a fundação foi incluída no programa de patrocínio como “convidada” e por isso não teve de passar pelo processo de seleção.
O objetivo do patrocínio, que a fundação recebeu sem participar de concorrência pública, que a estatal faz para selecionar projetos, era digitalizar os documentos do museu. “Processamento técnico e automação do acervo bibliográfico”, como diz um relatório de contas.
Pela proposta original, que previa o cumprimento das metas até abril de 2007, computadores seriam instalados nos corredores do museu, sediado num convento centenário no centro histórico de São Luís, para que os visitantes pudessem consultar online documentos como despachos assinados por Sarney na época em que ocupava o Palácio do Planalto. Até esta quarta-feira, não havia um único computador à disposição dos visitantes.

Nos últimos dias, o Estado analisou notas fiscais e percorreu os endereços das empresas que a fundação afirma ter contratado para prestar serviços ao projeto. Na relação de despesas, foram anexados até recibos da própria entidade para justificar o saque de R$ 145 mil da conta aberta para movimentar o dinheiro do patrocínio.

Recibo

Em recibo de 23 de março de 2006, em papel timbrado da fundação, Raimunda Santos Oliveira declara ter recebido R$ 35 mil por “serviços prestados de elaboração do projeto de preservação e recuperação do acervo” do museu. Procurada ontem pela reportagem, ela disse que já trabalhou na fundação, mas nos anos 90. “Eu trabalhei lá de 1990 a 1995”, disse. Sobre o recibo, não quis comentar: “Não sei do que você está falando.”

 

 

 
 
A lista de empresas que emitiram as notas revela atuação entre amigos no esforço para justificar o uso do dinheiro. Uma delas, a Ação Livros e Eventos, tinha como sócia até pouco tempo atrás a mulher de Antônio Carlos Lima, o “Pipoca”, ex-secretário de Comunicação da governadora Roseana Sarney (PMDB) e atual assessor do ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, aliado da família.
Das 34 notas fiscais emitidas pela Ação, que somam R$ 70 mil, 30 são sequenciais – é como se a firma tivesse apenas a Fundação José Sarney como cliente. Mais: uma das sócias, Alci Maria Lima, que assina recibos anexados à prestação de contas, nem sabe dizer que tipo de serviço a empresa prestou. “Eu assinei o recibo, mas não sei o que foi que a empresa fez, não.”
“Pipoca” é irmão de Félix Alberto Lima, dono de outra empresa, a Clara Comunicação, que teria prestado serviços ao projeto da fundação. As notas da Clara totalizam R$ 103 mil.
Ao jornal, Félix Lima disse num primeiro momento que prestou serviços de divulgação das atividades da fundação. Ele não soube explicar a relação disso com o projeto patrocinado pela Petrobras. “Não sei de projeto, me chamaram para fazer esse trabalho e cumpri isso profissionalmente”, disse. Mais tarde, em outro telefonema, tentou retificar o que dissera: afirmou que a Clara foi contratada para divulgar o projeto.

Outra empresa cujas notas foram anexadas na prestação de contas, o Centro de Excelência Humana Shalom, não existe nos endereços declarados à Receita Federal. Por “serviços de consultoria”, teria recebido R$ 72 mil da Fundação José Sarney. À época, a Shalom tinha como “sede” a casa da professora Joila Moraes, em bairro de classe média de São Luís. “A empresa é de um amigo meu, mas nunca funcionou aqui. Eu só emprestei o endereço”, disse Joila. Ela é irmã de Jomar Moraes, integrante do Conselho Curador da Fundação José Sarney e amigo do senador.  * Com Agência Estado

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