Posts Tagged ‘folha de são paulo’

Mar de lama: Dilma manda "aliviar" para Sarney

10 agosto 2009

Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Dilma Roussef e sua delicadeza na defesa de Erenice Guerra

Ex-secretária da Receita Federal demitida por Lula conta os podres do governo.

Do jornal Folha de São Paulo de domingo (09/08/2009)

A ex-secretária da Receita Federal Lina Maria Vieira diz que, em um encontro a sós no final do ano passado, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) pediu a ela que a investigação realizada pelo órgão nas empresas da família Sarney fosse concluída rapidamente.

 
A Folha obteve há três semanas a informação sobre o encontro e o pedido. Procurada pela reportagem, a ex-secretária confirmou. Ressaltou que não poderia dar detalhes sobre a auditoria, em respeito ao sigilo fiscal previsto no Código Tributário Nacional. Mas aceitou contar como teria sido a conversa com a ministra e pré-candidata à Presidência da República. A assessoria de Dilma diz que o encontro nunca ocorreu.

 
“Falamos sobre amenidades e, então, ela me perguntou se eu podia agilizar a fiscalização do filho do Sarney.” A ex-secretária disse que entendeu como um recado “para encerrar” a investigação, o que se recusou a fazer. “Fui embora e não dei retorno. Acho que eles não queriam problema com o Sarney.”

 
Segundo Lina, o pedido de Dilma ocorreu cerca de dois meses após o fisco ter recebido ordem judicial para devassar as empresas da família Sarney. Auditores da Receita ouvidos pela Folha dizem que uma fiscalização como essa pode levar anos. Encerrá-la abruptamente seria o mesmo que “aliviar” para os alvos da investigação.
Além do sigilo fiscal, inerente a todas as ações da Receita, a auditoria sobre o clã Sarney estava sob segredo de Justiça.

 
No final do ano, o Palácio do Planalto cuidava das articulações para a eleição à Presidência do Senado. Em público, Sarney negava a intenção de concorrer, embora se movesse nos bastidores. A candidatura foi anunciada em janeiro e, apoiada por Lula, acabou vitoriosa.
Sarney enfrenta hoje uma série de acusações de quebra de decoro por ter usado a máquina do Congresso em favor de parentes e aliados. Continua no cargo com o apoio de Lula.

 
A Folha contatou a Casa Civil quatro vezes para saber se a ministra Dilma confirmava o teor da conversa com Lina Vieira. Sua assessoria de imprensa, em conversas telefônicas e por e-mail, declarou que ela “jamais pediu qualquer coisa desse tipo à secretária da Receita” e, mais, que a ministra “não se encontrou com ela”. “Não houve a alegada reunião”, escreveu a assessoria. Lina, por sua vez, diz se lembrar de detalhes: do cafezinho que tomou na antessala e do xale que Dilma vestia.

 
Conforme a Folha publicou no dia 25 de julho, a recusa de Lina em atender pedidos de políticos foi um dos fatores que levaram à sua demissão no dia 9. O motivo mais divulgado foi a divergência em público sobre a mudança de regime tributário feita pela Petrobras.
Lina ficou apenas 11 meses e 10 dias no comando do fisco. Ela disse à Folha que o ministro Guido Mantega (Fazenda) avisou-a que a ordem para tirá-la do cargo “veio de cima”.

 

A Receita começou a vasculhar o clã Sarney em setembro de 2007. Num desdobramento da Operação Boi Barrica da Polícia Federal, o juiz Ney Bello Filho (1ª Vara Federal do Maranhão) determinou a fiscalização sobre Fernando Sarney, a mulher dele, Teresa Murad, e em três empresas da família: Gráfica Escolar, TV Mirante e São Luís Factoring.
Na ocasião, o secretário do fisco era Jorge Rachid. Um ano depois, em setembro de 2008, o juiz, insatisfeito com o resultado do trabalho dos fiscais, expediu novo ofício à Receita, determinando a ampliação da investigação, sob pena de prisão de dirigentes do órgão. Esse segundo despacho judicial ocorreu já na gestão de Lina, que assumira dois meses antes.

 
Em outubro, a Receita começou a montar um grupo especial de auditores de fora do Maranhão. Conforme a Folha revelou na semana passada, 24 pessoas físicas e jurídicas ligadas direta e indiretamente a Sarney estão sob investigação pelo fisco. No inquérito policial, Fernando Sarney já foi indiciado sob a acusação de formação de quadrilha, gestão de instituição financeira irregular, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica.

 
Segundo Lina, semanas depois do início da segunda etapa da fiscalização, a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, foi até a Receita falar com ela. Disse que a ministra queria ter uma conversa pessoal com Lina, mas não sabia dizer sobre qual assunto.
Erenice é o braço direito de Dilma. Ficou conhecida no começo do ano passado, após a Folha ter revelado que partiu dela a ordem para a elaboração, por funcionários da Casa Civil, de um dossiê com gastos pessoais do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

 
A ex-secretária da Receita disse se lembrar que o encontro ocorreu no final do ano passado, mas não da data exata. Prometeu localizar suas agendas, mas afirmou que não conseguiu encontrá-las, pois muitos de seus pertences já estão embalados para a mudança de volta para o Rio Grande do Norte, sua terra natal. A Folha pesquisou todos os dias da agenda oficial de Dilma. Não consta nenhuma audiência com Lina.

 
Na data combinada, Lina disse que foi ao Planalto, que foi recebida por Erenice e que aguardou alguns minutos até ser chamada por Dilma.
A Casa Civil não tem nenhuma ingerência formal sobre a Receita, subordinada ao Ministério da Fazenda.

Anúncios

Por medo da CPI, Lula mantém apoio a Sarney

27 julho 2009

Folha de São Paulo (27/07/09)

VALDO CRUZ
MARIA CLARA CABRAL
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

Apesar de avaliar que a situação do senador José Sarney (PMDB-AP) ficou mais delicada nos últimos dias, o presidente Lula não pretende abandoná-lo por temer perder o apoio dos peemedebistas na CPI da Petrobras.
Lula, contudo, deve reduzir as manifestações públicas em defesa de Sarney e atuar mais nos bastidores a partir de agora. Segundo um assessor presidencial, seu chefe não quer dar motivos para que o PMDB no Senado tenha uma posição hostil aos interesses do governo.

 
O presidente comentou com um aliado que não deseja enfrentar, na reta final do governo, uma nova CPI no estilo da que investigou o mensalão, sobre a qual perdeu o controle e que levou assessores a recomendar que ele desistisse da reeleição.

 
Na avaliação de Lula, se abandonar Sarney, o PMDB pode se aliar a tucanos e democratas e minar a candidatura de Dilma Rousseff -a ministra da Casa Civil preside o conselho de administração da estatal.

 
Dentro do governo, porém, a avaliação é que a crise ficou mais complicada após as revelações da última semana e talvez nem mesmo o aval de Lula seja suficiente para segurá-lo no cargo. Na semana passada, mesmo depois de o jornal “O Estado de S. Paulo” divulgar gravações em que Sarney trata de nomeação de um namorado de sua neta para cargo no Senado, Lula ligou para ele reafirmando seu apoio.

 
No sábado, a Folha revelou que, a mando da Justiça, a Receita realiza uma devassa em negócios da família Sarney. Auditores detectaram elementos que configuram crimes contra a ordem tributária, como envio ilegal de recursos ao exterior e lavagem de dinheiro. Sarney continua dizendo que não irá renunciar. Amigos não descartam a possibilidade de ele pedir licença, a depender do estado de saúde de sua mulher, Marly.

 
Nesta semana, apesar do recesso parlamentar, senadores da oposição prometem se articular pela saída de Sarney. Além de referendar os processos já protocolados no Conselho de Ética, a oposição quer reunir novas denúncias para avaliar se ingressa com mais uma representação.

 

 

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

Dois milhões em bufunfa viva até hoje sem dono

DOSSIÊ DOS ALOPRADOS: EX-SEGURANÇA DO PRESIDENTE LULA É FUNCIONÁRIO TERCEIRIZADO DA PETROBRAS

Em junho, a Folha revelou que um dos contratados pela Protemp é o petista José Carlos Espinoza, ex-segurança do presidente Lula implicado no caso do dossiê dos “aloprados”, nas eleições de 2006. Espinoza é terceirizado e trabalha desde abril de 2007 na sede da Petrobras em São Paulo, no setor de Comunicação Institucional.

Orkumate = Orkut + tomate

25 junho 2009

Para não dizerem que critico apenas o blog da Petrobras, mostro aqui que sim, a imprensa também erra. O célebre caso do boimate sempre dá suas caras hehehe.

Esta semana o jornal Folha de São Paulo cometeu uma enorme barriga* em reportagem assinada pelos jornalistas Talita Bedinelli e Fábio Takahashi no caderno “cotidiano”, espaço de notícias locais da cidade de São Paulo.

Laura Capriglioni comandou seus pupilos em reportagem sobre a greve dos funcionários da USP – Universidade de São Paulo – baseada, entre outras fontes, em pesquisas feita no site de relacionametos Orkut.

Para quem não conhece, o Orkut é um site majoritariamente freqüentado por jovens e adolescentes, que utilizando pseudônimos, criam milhares de comunidades chamadas “bogus” – simples brincadeiras e molecagens.

A Folha pegou uma dessas comunidades “bogus” e levou a sério seu conteúdo, entrevistando inclusive um perfil “fake” (falso), sem sobrenome,  usando-o como fonte. Colocou isso na sua reportagem, cometendo a barriga do ano da imprensa paulista.

Esse caso caiu como uma luva para que eu pudesse demonstrar aqui que quando a imprensa comete seus erros, tem sim que ser exposta, para que essa exposição a envergonhe a fim de torna-la mais apurada, de qualidade, responsável. Isso não significa querer o fim da imprensa livre, assim como criticar a postura da Petrobras em seu blog não significa querer o seu fim.

Nunca nesse espaço censurei o direito da Petrobras – ou qualquer outra empresa, instituição ou pessoa – se expressar na internet. O que tenho feito é apenas chamar a atenção as artimanhas, erros e interesses por trás dessas iniciativas.

Quando iniciativas bem intencionadas e feitas com excelência, só temos a comemorar e incentivar. Se manipuladas ou pouco transparentes, é dever de todo internauta questionar e criticar, seja o lado que for da moeda.

 

*barriga no meio jornalístico quer dizer publicar um fato falso, mas sem intenção de enganar o leitor. Uma mancada, informação errada.

Informação Seletiva

24 junho 2009
Renata LoPrete

Renata LoPrete

 

O print screen acima é do Blog da Petrobras oficial.

Ali, eles rebatem uma notinha da coluna Painel, do jornal Folha de São Paulo, assinada pela jornalista Renata Loprete.

O blog faz referência a uma suposta “seletividade” na memória da jornalista, insinuando que ela não checou dados passados para emitir opinião.

Bom, ali é uma coluna de notas curtas, não de matérias completas. São pílulas de informação. Mas é direito certo e líquido a Petrobras se pronunciar e criticar caso a empresa se sinta prejudicada, sem dúvida.

Mas vejam que oportunidade PERDIDA!

Ao invés de partir para a ironia, poderia a empresa explicar, detalhadamente, as REAIS questões que podemos levantar lendo a nota de Renata e a respectiva resposta do blog:

– Se em 2005 a Petrobras já patrocinava os tais festejos naqueles estados, então governados pela oposição, quais os números detalhadamente? Quantas cidades, quais cidades, quais valores e através de que empresas ou ONG’s?

Aliás, lendo a nota novamente agora (a da Folha) e a respectiva resposta da Petrobras, um insight: Se as denúncias que correm são de que esses patrocínios muitas vezes são intermediados por ONG’s ligadas ao PT, então nada mais lógico que em 2006 os tais estados fossem governados pela oposição e hoje sejam pela situação. Sinal que a “ajudinha” da Petrobras surtiu efeito né?

Ex-segurança de Lula atua na Petrobras por movimentos sociais

23 junho 2009

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

dinheirama apreendida pela PF com os aloprados em 2006

Envolvido no caso do dossiê contra tucanos, da eleição de 2006, José Carlos Espinoza trabalha no setor de comunicação, em SP

Petista comandou gabinete paulista da Presidência e foi um dos mais próximos auxiliares do presidente; petrolífera é alvo de CPI

FERNANDO BARROS DE MELLO
DA REPORTAGEM LOCAL

Ex-chefe do Gabinete Regional da Presidência da República em São Paulo e um dos mais próximos seguranças do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em campanhas políticas, José Carlos Espinoza trabalha, desde abril de 2007, na sede da Petrobras em São Paulo.
A Petrobras é alvo de uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito), que ainda aguarda sua instalação no Senado.
Espinoza fica no setor de Comunicação Institucional da sede paulista da empresa, mas afirma que sua função é fazer a interlocução com os movimentos sociais. Ele é terceirizado, contratado pela empresa Protemp, sediada em Santo André.
O diretor de Comunicação da Petrobras é Wilson Santarosa, que tem ligações históricas com PT e movimento sindical. Espinoza é um dos 1.150 profissionais da comunicação da Petrobras, segundo quem ele foi contratado pela “vencedora da licitação para serviços de apoio profissional suplementares às atividades de comunicação”.
Durante a campanha eleitoral de 2006, Espinoza se afastou do gabinete da Presidência para exercer, no comitê de Lula em São Paulo, a função de encarregado da agenda do então candidato à reeleição.
No meio da campanha, foi citado no escândalo da compra do dossiê contra tucanos. Segundo a revista “Veja”, ele se reuniu na sede da superintendência da Polícia Federal com Freud Godoy, ex-assessor especial da Presidência, e Gedimar Passos, assessor da campanha, implicados na compra do dossiê. Na época, a PF e os envolvidos negaram o encontro.
Ainda em 2006, após a prisão dos envolvidos na compra do dossiê, a Folha revelou que o apartamento de Espinoza serviu de local para um encontro entre Freud Godoy e Paulo Ferreira, tesoureiro do PT.
Espinoza deixou o cargo no gabinete presidencial depois do caso do dossiê. Ele afirma que pediu a saída por razões pessoais. “Disse que não queria ficar mais no escritório da Presidência, por motivos pessoais”, disse ontem à Folha.
Questionado sobre como surgiu a oportunidade de trabalhar para a Petrobras, afirmou: “Por conta exatamente do meio de campo que foi pedido para eu fazer entre os movimentos sociais e a Petrobras. Conheço o José Rainha [dirigente do MST], o presidente da Contag [Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], o pessoal da Fetraf [Federação dos Trabalhadores na Agricultura Familiar]”.
Ele disse que tinha vontade de trabalhar na área do biodiesel e conversou com algumas pessoas do governo, entre elas Gilberto Carvalho, chefe de gabinete de Lula. Informou que hoje acompanha um projeto no Pontal do Paranapanema e um em Mato Grosso.
Por conta da CPI, entidades como a CUT (Central Única dos Trabalhadores) fizeram atos de apoio à Petrobras em vários Estados e acusaram a oposição de querer privatizar a empresa. Espinoza esteve em um desses atos, em São Paulo.

Reportagem do Jornal Folha de São Paulo de 23/06/09 (na íntegra)

                                                  – 0 –

Repetindo: Princípios Éticos do Sistema Petrobras:

6. O mérito é o critério decisivo para todas as formas de reconhecimento, recompensa, avaliação e investimento em pessoas, sendo o favorecimento e o nepotismo inaceitáveis no Sistema Petrobras.

Petrobras, de olho na imprensa, não no combustível

7 junho 2009

petrobras de olho no combustivel CE

É realmente um marco histórico, um verdadeiro “nunca antes neste país…” talves melhor dizendo, “nunca antes neste MUNDO!”, que uma empresa abre fogo contra a imprensa livre. Sabemos que a Petrobras é uma empresa estatal, e nessa terra de bananas, uma estatal acaba servindo aos interesses do GOVERNO de plantão, e não da população como um todo. Apesar de parecer algo comum – e muitos dirão tradicional no nosso país -, uma empresa estatal tem compromissos com a coletividade, pois é financiada por cada pessoa que paga impostos e utiliza os serviços/produtos dentro do território de atuação da mesma.

Pois o que parece normal, é na verdade uma maneira torta e pouco republicana do uso indiscriminado do aparato estatal, e PÚBLICO portanto, por agentes provisórios que estão no poder e que se apoderam do que é de todos.

Uma empresa com ações em bolsa e com milhares de acionistas, tem contas a prestar, e deveria estar longe da manipulação política partidária. Não deveria ser loteada e muito menos dilapidada por interesses escusos.

Uma empresa que detém um poder econômico extraordinário, e um caixa mais extraordinário ainda, acaba sendo fonte de cobiça daqueles que provisoriamente estão no poder decisório. E cada cidadão, consumidor, acionista ou colaborador acaba sendo cúmplice de uma situação onde milhões de reais são transacionados em contratos pouco conhecidos, em acordos e atitudes nebulosas que aferem lucro  sabe-se lá a quem.

A criação de um BLOG pela Petrobrás, com o claro intuito de fazer política partidária e intimidar a imprensa livre só pode ser encarado como atitude vinda de algum setor da empresa ligado a partido político. Sabemos que partido é esse, e temos certeza da finalidade da causa. Causa estranheza a utilização de uma ferramenta gratuíta – o WordPress – por uma empresa bilionária que bem poderia estar postando suas ameaças veladas e dando corda a uma camarilha de puxa-sacos partidários no seu website oficial. Bastaria criar um hotsite, coisa básica em arquitetura de websites, usado até por micro-empresas.

Parece, com isso, que foi fruto de uma banda partidária infiltrada na empresa (como tantas que devem lá existir), que tomou uma atitude drástica, impensada e histérica, movida a rancor apenas. Mais uma vez um fato inédito na história empresarial.

Pensando em uma caricatura, poderíamos até dizer que são pessoas que gostariam de transformar NOSSA Petrobras numa PDVSA, tendo nas atitudes do caudilho Hugo Chaves a inspiração no controle da informação, e nos ataques a imprensa livre.

Vamos ficar de olho, não no combustível, mas nas artimanhas dessa gente.