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Celebridade gosta mesmo é da revista Caras

28 junho 2009

O Sr. Sergio Gabrielli deu entrevista ao jornal O Estado de São Paulo essa semana e publicada hoje, domingo 28/06 – íntegra aqui. Semana retrasada houve outra entrevista, quase uma coletiva, no programa Roda Viva da TV Cultura de São Paulo, transmitida a todo o Brasil através da rede de TVs educativas. Li uma e assisti a outra. Nas duas, a percepção que tenho do presidente da Petrobras é de extrema arrogância. O homem não conhece a palavra diplomacia.

Sinceramente, mesmo pesquisando na internet a procura de entrevistas diversas no passado recente, não achei nada parecido a essa postura vindo de um executivo graúdo de empresa que fosse.

Parte da entrevista publicada hoje em que ele coloca um tal de “preconceito contra nordestinos” só porque a imprensa questiona as gordas verbas para festejos regionais intermediadas por ONGs pra lá de suspeitas é seu pior momento. Golpe baixo querendo colocar brasileiros contra brasileiros em defesa de atos que merecem sim investigação.

Alguns poderão achar até válido o posicionamento de Gabrielli, num entendimento de que seria uma defesa aguerrida do seu negócio, da corporação que dirige. Mas por que não temos nada parecido em qualquer outro tipo de conglomerado? O que seria diferente na Petrobras em relação a tantas outras grandes empresas, nacionais ou multinacionais, que daria essa prerrogativa a seu presidente em ser arrogante, raivoso, pouco polido até?

A íntegra da entrevista, como já linkei acima, está disponível na internet. Vou ainda tentar achar uma transcrição do programa Roda Viva para que vocês tenham a oportunidade de analisar também. Gostaria, porém, de pedir a cada leitor desse texto que postasse nos comentários, caso conheça, algum exemplo de dirigente de conglomerado, qualquer que seja, dando caneladas em público iguais as que estamos assistindo protagonizado por Gabrielli. Unzinho só. Eu não achei nada parecido. Se acharem, será com certeza uma exceção.

Gabrielli se diz incomodado com a CPI. Diz que a mesma poderá afetar economicamente a Petrobras, e que apurações do TCU e outros órgãos de investigação já estão prejudicando a companhia. Cumé quié?

Quer dizer que uma investigação legítima do TCU está, segundo suas palavras, atrasando licitações porque funcionários da empresa agora têm que prestar contas? A Petrobras tem 30 funcionários apenas? A sede fica no fundo do quintal da casa do Gabrielli? È de matar de rir tal argumento.

Se só no setor de comunicação trabalham 1150 pessoas – fora os contratados recentemente – ele quer fazer acreditar que o setor jurídico, técnico e outros que provavelmente são acionados para produzir relatórios explicativos de suspeições levantadas pelo TCU ou pelo MPF desestabilizam o cotidiano da mega-super-hiper Petrobras? Estou rindo aqui…

Então significa que montar uma equipe de “crise” de 30 pessoas para acompanhar a CPI e levantar documentos e respostas às inquirições dos senadores também vai atrapalhar a companhia?

A Petrobras tem mais de 75 mil funcionários diretos! Aliás, todos muito bem remunerados, diria até que sobrando em alguns setores (comunicações é um deles). Terceirizados devem passar de 120 mil. Prestar contas à sociedade vai dar trabalhinho é? Vai ser canseirinha?

Insinuar que investigar a empresa é uma maneira de prejudicar a Petrobras é o fim da picada! Qualquer empresa no Brasil, privada, nacional, multinacional ou pública é a princípio alvo de investigação que por ventura pareça necessária, e ponto final!

Se Gabrielli acha que ser alvo de investigação desgasta o sossego de seus diretores e assemelhados, então o que ele diria de uma simples fiscalização da Receita Federal sobre um pequeno comércio? Seria um recado pro dono da bodega gritar “cansei!”, chutar o cesto de lixo e sair arrancando as roupas pela rua?

Vamos pegar como exemplo um simples posto de combustíveis então, já que faz parte do mundo do petróleo. Na estrutura desse posto de abastecimento não existem diretores, coordenadores, nem mesmo assessores de imprensa editando bloguinho. Ali, quando chega um fiscal, ele EXIGE documentos. E o dono do estabelecimento vai ter que se virar pra suprir todas as solicitações LEGÍTIMAS do poder fiscalizador. No máximo, o bravo vai procurar ajuda de um advogado ou contador. E a vida dele e do seu negócio continuam sem maiores problemas. É assim em qualquer cidade do país.

Imaginem também o Sr. Abilio Dinis, dono da CBD (Pão de Açúcar) dando declarações na imprensa peitando senadores e levantando teorias de uma imprensa conspiratória. Seria destituído rapidinho da presidência do grupo, mesmo sendo o controlador. Nenhum acionista ou conselheiro que não fosse miolo mole aceitaria a imagem da empresa que representa sendo arranhada pela impertinência de comentários do tipo. Se fosse caso de executivo contratado, como um Carlos Gosh, da Renaut-Nissan, decerto seria bilhete azul, no ato!

Mas Gabrielli se acha DONO da Petrobras! Não se enxerga como um executivo que está lá para dar, polidamente, satisfações à sociedade, aos acionistas, aos empregados e aos órgãos legítimos de fiscalização e controle. Um presidente de empresa é o porta-voz de toda companhia perante a sociedade, não de si mesmo. É dirigente, não celebridade.

Gabrielli está transformando em briga pessoal uma coisa natural numa sociedade democrática e republicana. Fazer CPI é uma das atribuições do poder legislativo e todo cidadão, do nível que for, tem que aceitar isso. Se existe medição de força política no caso (e toda CPI tem política embutida, é do jogo), caberia ao presidente da Petrobras ficar bem longe dessa cumbuca. Se alguém se acha no direito de gritar contra a imprensa e fazer manobras protelatórias contra a CPI, no meu entender essa tarefa seria dos partidos da situação, assumindo inclusive o desgaste dessas atitudes perante a opinião pública. Já a empresa tem que ser diplomaticamente preservada por seus responsáveis, sempre.

Isso só corrobora a tese de que, antes de ser presidente da Petrobras, Gabrielli é quadro do PT, e que os interesses do PT estão acima dos da Petrobras. É essa a leitura que qualquer ser pensante e sensato faz do quadro atual. E quem perde com essa atitude é a própria Petrobras, que vai arranhando sua imagem graciosamente perante a opinião pública nacional, quiçá no mundo todo, já que parece atuar como apêndice de partido político.

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Versinhos de cartilha primária para o Gabi entender

9 junho 2009

Seu Gabi era funcionário, da Petrobrás

Carguinho comissionado, e outros quetais

Mas fez uma burrada, acertou o próprio pé

Foi demitido, tadinho, levou um olé.

 

Mas seu Gabizinho, que bobo não era

Fez bom pé de meia, e não eram querelas

Pensou um pouquinho, com os seus botões

Vou virar empresário, e soltou rojões

 

Pensou vários meses, meses a fio

descobriu um negócio, ali mesmo no Rio

A idéia era simples, era até genial

Uma locadora, de máquinas pro pré-sal

 

Mas como todo negócio, ele esperto sabia

Não podia se expor, a idéia era seu guia

Então bico calado, saiu pesquisando

Uma fábrica de máquinas, saiu procurando

 

Atravessou o Atlântico, foi até a Hungria

Mostrou seu projeto, e suas garantias

Deixou tudo armado, era só assinar

Mas chegando em casa, quis se matar

 

O dono da fábrica, mas que deslealdade

Postou no seu blog, talvez por maldade

Os planos do Gabi, a idéia do pré-sal

E quem se deu bem, foi uma multinacional

Alguns esclarecimentos a respeito desse blog:

9 junho 2009

Muitos reclamam meu anonimato. Pois bem, desde que meu pai introduziu a internet em nossa casa, em 1997, a primeira recomendação foi bem direta: Nunca se exponha na rede.

Fiz esse blog como protesto – já está custando algumas horas perdidas dos meus estudos – e não pretendo me identificar, até porque o que interessa de FATO são as idéias aqui postadas, não minha aparência ou meus DADOS privados.

Não me sinto à vontade, até pelo teor de muitos comentários, em me expor.

Outros estão dizendo que estou ridicularizando os funcionários da Petrobrás, já que coloquei narizes de palhaço nos rostos que aparecem no cabeçalho.

Mais uma vez, reitero meu total respeito a todo colaborador da empresa (os que realmente trabalham e fazem a roda girar), e explico que a idéia do nariz foi exatamente para demonstrar o ridículo do uso de imagem representativa dos verdadeiros trabalhadores, para ilustrar um blog feito para saciar os interesses da diretoria da empresa. Mais coerente seria a face dos dirigentes, com seus ternos Armani, óculos D&G e Blackberry na mão. Ademais, esses personagens da foto certamente são modelos pagos, e se o dono dos direitos da imagem – no caso a Petrobras – tem alguma restrição, basta entrar em contato com o blog. Serei extremamente transparente e publicarei aqui, antes de qualquer providência, o texto na sua íntegra, para apreciação pública.

Layout do blog: como já expliquei, é de domínio público.

Quanto aos erros de português, lembro a todos que não sou jornalista, escritor ou redator profissional. Mas tentarei errar o mínimo, prometo.

Transparência Nebulosa

7 junho 2009

A Petrobras, no seu blog inédito (ainda tô me beliscando pra saber se é oficial mesmo hehehe), tenta demonstrar ao público uma certa transparência no trato com as notícias publicadas na imprensa a seu respeito. Diz que o blog servirá para mostrar como a imprensa brasileira é despreparada, mal intencionada, manipulada, etc, etc, etc (não diz com essas palavras, mas é o que está nas entrelinhas).

Resolveu, numa atitude inédita, acabar com a exclusividade de cada órgão em seguir sua pauta, já que a empresa coloca agora todo contato pré-publicação de uma matéria para todo o público ler. Assim, jornal A vai ficar sabendo o que o jornal B está fazendo e perguntando, que linha está seguindo, ANTES mesmo da publicação (se é que publicará mesmo, pois muitas matérias caem justamente na fase de pesquisa). Enfim, estão colocando no ar o teor de e-mails e contatos telefônicos feitos por jornalistas. Coisa estranha…

Mas, mesmo que a proposta fosse realmente a da transparência, lendo o blog vemos atitudes bem suspeitas. Quando a empresa fala dos seus feitos e acertos, puxam dados comparativos desde a época de Getúlio Vargas. Porém, quando é para falar sobre gastos e suspeitas, usam absurdos vagos como – “ano passado reduzimos significadamente despesa tal”…

Um exemplo: O jornal Folha de São Paulo pergunta sobre despesas com contratação de escritórios de advocacia em épocas bem específicas, ANO a ANO, pois existe a suspeita de direcionamento desses contratos milionários para apadrinhados do partido hoje no poder. A pergunta é BEM ESPECÍFICA:

“-Quais os valores desembolsados pela companhia com essas contratações na área jurídica, com e sem licitação, nos anos de 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007, 2008 e 2009?”

Eis a resposta da Petrobras:

“A Petrobras vem aumentando seu número de advogados próprios, saindo de 250 profissionais em 2003 para os 650 atuais. Consequentemente, a Companhia vem reduzindo os gastos com escritórios externos. Em 2008, por exemplo, houve redução de 23% neste tipo de desembolso quando comparado a 2007. O número de contratações também vem caindo. De setembro a dezembro de 2008, foram encerrados 24 contratos com escritórios terceirizados e, para 2009, está previsto o encerramento de mais 19. De 1998 até hoje, o desembolso com contratações de escritórios jurídicos foi de aproximadamente R$ 230 milhões de reais, sendo que, desse valor, cerca de R$ 50 milhões foram em contratos precedidos de licitação.”

                                  –        o         – 

Primeiro a empresa não apresenta os dados ANO a ANO, o que facilitaria o entendimento se ESSA ADMINISTRAÇÃO ATUAL, petista, gastou mais ou menos que a administração anterior, do PSDB, em contratos terceirizados. No quesito contratação direta, já mostra o inchaço, pois saltou de 250 para 650 profissionais. Faz ainda um auto-elogio enrustido, querendo dizer que no último ano REDUZIU as despesas.

Só que a empresa REDUZIU JUSTAMENTE nos meses em que estourou a crise mundial, coisa que TODA EMPRESA NO MUNDO fez. Vejam que eles colocam detalhadamente os meses de  “setembro a dezembro de 2008”. Usaram um periodo atípico para ilustrar algo que seria uma política de todo o periodo dessa administração. Bem TRANSPARENTE mesmo!

Mas, e de janeiro de 2003 (início do governo Lula) até hoje? Onde está essa informação?

Seguindo o que o tal BLOG da Petrobrás indica, pela omissão descarada, posso deduzir que essas despesas AUMENTARAM estratosféricamente, não posso? Pois foram VAGOS na informação, diria até que foi uma resposta vaselina, de tão escorregadia hehehe…

Vamos fazer um exercício de simulação: Se no ano de 2002 a empresa gastou 100 mil reais com essa rubrica e em 2007 torrou 1 milhão, de que adianta em 2008 ter gasto 970 mil e dizer que abaixou os gastos?

Na verdade, aumentaram em 1000% os gastos em 5 anos, depois cortaram 3% no último ano e se safam dizendo que estão economizando…

Já na hora de mostrar o lucro da empresa, sacam até um gráfico vindo, que COISA, desde a época do governo anterior, vejam só:

00000000grafico

Porque não fizeram um gráfico respondendo à pergunta da Folha de São Paulo?

É essa a transparência?

E a imprensa é a causadora do estrago na imagem da companhia, pois é…

Petrobras, de olho na imprensa, não no combustível

7 junho 2009

petrobras de olho no combustivel CE

É realmente um marco histórico, um verdadeiro “nunca antes neste país…” talves melhor dizendo, “nunca antes neste MUNDO!”, que uma empresa abre fogo contra a imprensa livre. Sabemos que a Petrobras é uma empresa estatal, e nessa terra de bananas, uma estatal acaba servindo aos interesses do GOVERNO de plantão, e não da população como um todo. Apesar de parecer algo comum – e muitos dirão tradicional no nosso país -, uma empresa estatal tem compromissos com a coletividade, pois é financiada por cada pessoa que paga impostos e utiliza os serviços/produtos dentro do território de atuação da mesma.

Pois o que parece normal, é na verdade uma maneira torta e pouco republicana do uso indiscriminado do aparato estatal, e PÚBLICO portanto, por agentes provisórios que estão no poder e que se apoderam do que é de todos.

Uma empresa com ações em bolsa e com milhares de acionistas, tem contas a prestar, e deveria estar longe da manipulação política partidária. Não deveria ser loteada e muito menos dilapidada por interesses escusos.

Uma empresa que detém um poder econômico extraordinário, e um caixa mais extraordinário ainda, acaba sendo fonte de cobiça daqueles que provisoriamente estão no poder decisório. E cada cidadão, consumidor, acionista ou colaborador acaba sendo cúmplice de uma situação onde milhões de reais são transacionados em contratos pouco conhecidos, em acordos e atitudes nebulosas que aferem lucro  sabe-se lá a quem.

A criação de um BLOG pela Petrobrás, com o claro intuito de fazer política partidária e intimidar a imprensa livre só pode ser encarado como atitude vinda de algum setor da empresa ligado a partido político. Sabemos que partido é esse, e temos certeza da finalidade da causa. Causa estranheza a utilização de uma ferramenta gratuíta – o WordPress – por uma empresa bilionária que bem poderia estar postando suas ameaças veladas e dando corda a uma camarilha de puxa-sacos partidários no seu website oficial. Bastaria criar um hotsite, coisa básica em arquitetura de websites, usado até por micro-empresas.

Parece, com isso, que foi fruto de uma banda partidária infiltrada na empresa (como tantas que devem lá existir), que tomou uma atitude drástica, impensada e histérica, movida a rancor apenas. Mais uma vez um fato inédito na história empresarial.

Pensando em uma caricatura, poderíamos até dizer que são pessoas que gostariam de transformar NOSSA Petrobras numa PDVSA, tendo nas atitudes do caudilho Hugo Chaves a inspiração no controle da informação, e nos ataques a imprensa livre.

Vamos ficar de olho, não no combustível, mas nas artimanhas dessa gente.