Posts Tagged ‘política’

Sobre a chuva de comentários me atacando

9 junho 2009

Tenho a impressão que o pessoal que entrou aqui para postar comentários nem ao menos se deu ao trabalho de ler os posts. Todos aparecem com uma cantilena pronta, na ponta dos dedos, e saem detonando tudo e todos.

Isso aqui não é uma falsificação do blog original, é uma paródia. Uma charge utilizando o formato.

O conteúdo, esse sim, representa meu ponto de vista. Só isso, pois não pretendo ser o arauto da verdade absoluta.

Minha primeira intenção foi mostrar como uma empresa do porte da Petrobras, com seus 543429,87 funcionários respondendo pela área de comunicação, mais uns tantos contratados especialmente para fazer o tal blog, foram pouco profissionais.

Porque digo isso? Eu fiz uma cópia em menos de 20 minutos! Não sou jornalista nem webdesigner, sou apenas um fuçador na internet. O layout deles (e por conseqüência o meu também) é um pré-fabricado, sem qualquer desenvolvimento próprio. Os digníssimos nem se deram ao trabalho de “fechar” as possibilidades de uma URL (o nome do endereço eletrônico) parecida com o do oficial. Tanto é que inverti o nome e registrei sem maiores problemas no WordPress. Tivessem usado um endereço próprio, um hotsite direto do seu portal, essa possibilidade não existiria. Agora, me disseram, foi criado um endereço próprio, um “petrobras.com.br/blogdascouves”. Mas se isso foi feito, apareceu apenas ontem (domingo), sendo que o blog da companhia estreou dia dois de junho. Coincidentemente apareceu depois que criei esse.

Como optaram pelo uso de uma ferramenta gratuita, gerada nos EUA, ficaram expostos ao que fiz. Eles poderiam ter aberto mais algumas contas e fechado ao menos os nomes mais parecidos e tal… Mas “sabicumé”, acho que daria trabalho demais hehehehe.

Espero que o pessoal que perfura poços seja mais previdente.

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O blog da Petrobras e seus comentaristas

8 junho 2009

O mais fascinante nessa celeuma da Petrobras e seu blog é a parte aberta aos comentários dos leitores. O blog comunica em sua apresentação o seguinte texto: “Todos os textos desse ambiente estão abertos para comentários, que passarão pela aprovação de um moderador antes de ir ao ar. O critério para publicação é que não tenham conteúdo ofensivo ou desassociado do tema do site”.

Pois bem, quem disponibilizar algum tempo e entrar na seção de comentários de cada post, perceberá uma enxurrada de textos de apoio a iniciativa, e um ou dois gatos pingados se posicionando contra. Até aí nenhum problema claro, pois ninguém aqui está questionando o direito de uma empresa criar seu blog – o que é até uma tendência hoje em dia, com inúmeros exemplos que poderiam ser aqui elencados.

O problema está no conteúdo dos comentários, a maioria claramente de gente com posição política escancarada, que traz embutido em cada linha de texto um viés anti-imprensa livre, com direito até a sugestões que afrontam qualquer ponderação mínima no trato de questões corporativas de comunicação. São pessoas que acham que a Petrobras pertence a um partido, e que qualquer questionamento da mesma é o mesmo que questionar o governo de plantão. Há ainda, no Orkut e em outros blogs que tocaram no tema, reclamações de pessoas que dizem ter postado críticas a empresa ou aos temas abordados no blog da mesma e que não foram publicados, se dizem censuradas. Fica então a clara impressão que o blog da Petrobras é parcial em relação aos seus leitores, filtrando quem critica e dando espaço a quem enaltece, e pior, deixando que o conteúdo partidário, uma manada antidemocrática e refratária ao estado de direito se apodere do espaço destinado aos leitores.

Fazendo novamente um exercício de simulação, vamos imaginar a seguinte situação: A rede de hipermercados Carrefour cria seu blog. Durante a semana acontece um assalto nas dependências de uma das lojas da rede, onde dois bandidos – um negro e um loiro – são baleados pela polícia. O negro morre e o loiro é internado. Acidentalmente um consumidor, esse de nacionalidade portuguesa, também falece vítima de uma bala perdida. No hipotético blog, a empresa decide formar clara opinião de que a polícia agiu de modo errado, trocando tiros dentro das dependências de seu estabelecimento, e ainda levanta dúvidas sobre como a imprensa cobriu o evento, formando opinião que houve excesso por parte de jornalistas que, em seus textos, sugerem que a segurança do hipermercado não é muito eficiente.

Imaginem agora, que junto ao hipotético texto, somam-se inúmeros comentários de leitores do BLOG OFICIAL DO CARREFOUR, dizendo as seguintes asneiras:

Comentário 1:  Ah, parabéns pela coragem de peitar a imprensa! Bandido bom é bandido morto! Menos dois pra encher nossa paciência!

Comentário 2:  Venho aqui registrar minha satisfação de ler um blog imparcial e a coragem da empresa. A polícia é uma porcaria mesmo, só fazem ações estrambelhadas, são despreparados.

Comentário 3:  A imprensa ta reclamando o que? Menos um dono de padaria pra me roubar na hora de comprar pãezinhos de manhã!

Comentário 4:  A imprensa ta fazendo alarido só porque mataram o negão. Fosse o loiro o morto ninguém tava falando nada.

Comentário 5:  Polícia, para quem precisa? São um bando de analfabetos com arma na mão. A culpa é do governador XXX da Silva que não investe em segurança pública.

 

Fica aqui a pergunta, depois de ler a hipotética historinha acima: É correto uma empresa, OFICIALMENTE, questionar em público o trabalho de duas instituições independentes como a imprensa e a polícia? É correto uma empresa, em SEU SITE OFICIAL, dar guarida a comentários como os simulados acima? Não estou questionando aqui a liberdade de expressão, mesmo as de mau gosto. Cada INDIVÍDUO é livre para expressar – dentro da lei, claro – seus pensamentos. Mas uma empresa pode fazer isso? Ela não representa a totalidade de seus consumidores, que podem concordar ou discordar de certas questões? E seus funcionários, acionistas, corpo dirigente? Todos tem o mesmo posicionamento?

Na minha cabeça, com a pouca idade que ainda tenho, acho que não.

Petrobras, de olho na imprensa, não no combustível

7 junho 2009

petrobras de olho no combustivel CE

É realmente um marco histórico, um verdadeiro “nunca antes neste país…” talves melhor dizendo, “nunca antes neste MUNDO!”, que uma empresa abre fogo contra a imprensa livre. Sabemos que a Petrobras é uma empresa estatal, e nessa terra de bananas, uma estatal acaba servindo aos interesses do GOVERNO de plantão, e não da população como um todo. Apesar de parecer algo comum – e muitos dirão tradicional no nosso país -, uma empresa estatal tem compromissos com a coletividade, pois é financiada por cada pessoa que paga impostos e utiliza os serviços/produtos dentro do território de atuação da mesma.

Pois o que parece normal, é na verdade uma maneira torta e pouco republicana do uso indiscriminado do aparato estatal, e PÚBLICO portanto, por agentes provisórios que estão no poder e que se apoderam do que é de todos.

Uma empresa com ações em bolsa e com milhares de acionistas, tem contas a prestar, e deveria estar longe da manipulação política partidária. Não deveria ser loteada e muito menos dilapidada por interesses escusos.

Uma empresa que detém um poder econômico extraordinário, e um caixa mais extraordinário ainda, acaba sendo fonte de cobiça daqueles que provisoriamente estão no poder decisório. E cada cidadão, consumidor, acionista ou colaborador acaba sendo cúmplice de uma situação onde milhões de reais são transacionados em contratos pouco conhecidos, em acordos e atitudes nebulosas que aferem lucro  sabe-se lá a quem.

A criação de um BLOG pela Petrobrás, com o claro intuito de fazer política partidária e intimidar a imprensa livre só pode ser encarado como atitude vinda de algum setor da empresa ligado a partido político. Sabemos que partido é esse, e temos certeza da finalidade da causa. Causa estranheza a utilização de uma ferramenta gratuíta – o WordPress – por uma empresa bilionária que bem poderia estar postando suas ameaças veladas e dando corda a uma camarilha de puxa-sacos partidários no seu website oficial. Bastaria criar um hotsite, coisa básica em arquitetura de websites, usado até por micro-empresas.

Parece, com isso, que foi fruto de uma banda partidária infiltrada na empresa (como tantas que devem lá existir), que tomou uma atitude drástica, impensada e histérica, movida a rancor apenas. Mais uma vez um fato inédito na história empresarial.

Pensando em uma caricatura, poderíamos até dizer que são pessoas que gostariam de transformar NOSSA Petrobras numa PDVSA, tendo nas atitudes do caudilho Hugo Chaves a inspiração no controle da informação, e nos ataques a imprensa livre.

Vamos ficar de olho, não no combustível, mas nas artimanhas dessa gente.