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O imbróglio Petrobras X Receita Federal

25 agosto 2009

Diferente do que o governo e fontes da própria Petrobras andam soltando por aí, o imbróglio Receita Federal X Petrobras está longe de ser considerado resolvido. Dentro da receita há técnicos, gente com muitos anos de carreira e serviços prestados ao país, que tem opinião formada contra a manobra contábil aplicada pela nossa petrolífera para recolher menos impostos.

Na CPI, diretores nomeados por critérios políticos defenderam a maneira peculiar com que a Petrobras traduziu as normas tributárias. Falam inclusive em casos semelhantes na grande iniciativa privada brasileira. Fico na dúvida se a Petrobras não estaria dando o mau exemplo.

Não sou um especialista em tributação, mas concluo que, se existe a polêmica dentro da receita, caso encerrado não é. O fato da Petrobras ter estado com problemas de caixa no segundo semestre de 2008 na minha visão poderia ser interpretado até naturalmente, tendo em vista a eclosão da grande crise mundial, com profunda desvalorização do preço do petróleo no mercado internacional.

O que parece é que, por usar politicamente a nossa Petrobras como arma eleitoral, o governo Lula não aceita que a imagem de “sucesso” da companhia seja arranhada por questionamentos legítimos de ninguém, nem por órgãos de Estado.

A Receita questiona alguns métodos de recolhimento fiscal, a oposição questiona o uso do caixa da empresa em assuntos eleitorais e suposta corrupção, o TCU questiona algumas grandes operações de investimentos, a Polícia Federal questiona alguns procedimentos suspeitos criminalmente.

Mas Lula, Gabrielli e o PT não aceitam. Eles se apoderaram de mais de 50 anos de história para fazer dos méritos da Petrobras – que são só da Petrobras – em ativo do partido. Já onde realmente o governo pode ser responsabilizado exclusivamente, a regra é esconder. O caso do pré-sal é típico: Uma pesquisa que vem sendo conduzida há mais de 20 anos, mas por dar resultados práticos agora – na verdade prático mesmo só daqui alguns anos – torna-se carimbada pelo partido como fruto do seu governo.

Claro que ninguém quer proibir Lula de inaugurar com pompas as conquistas da Petrobras, isso é natural de qualquer governante. Mas não podemos aceitar a transformação descarada desses eventos em comícios eleitorais. Muito menos aceitar que haja um desmonte da Receita Federal justamente porque seus servidores de carreira indicam possíveis desajustes na área fiscal da empresa.

Hoje houve demissão coletiva de dirigentes da Receita por não concordarem com a maneira com que vem sendo feita a “tratoragem” do governo sobre o quadro técnico do órgão. Lina Vieira foi só um prenúncio.

É o jeito Lula de governar, misturando sempre política partidária com Estado, não colocando limites em seus subordinados e ele mesmo dando maus exemplos. O fato da CPI estar amordaçada é caso típico. Uma coisa é ter algum controle sobre uma CPI, outra abafá-la completamente.

 

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Campanha de adesão na TV

14 agosto 2009

 

blog TV petrobras PT 2CE

A Petrobras soltou no ar uma nova campanha publicitária em que divulga sua marca, suas conquistas, coisa muito normal. É uma campanha dispendiosa, com comerciais de TV de 30 segundos e que sorrateiramente insere, lá no finzinho da propaganda, o endereço do seu blog anti-imprensa.

Então ficamos assim: Uma empresa que tenta mostrar-se moderna e capaz, induz o público consumidor a entrar em um site da internet onde as duas únicas pautas são desmoralizar uma CPI do senado federal e atacar o trabalho da imprensa.

O consumidor que assistir o comercial de TV vai, embarcado pelo belo trabalho de promoção institucional, de boa fé cair em um blog de viés político, com uma seção de comentários recheado de textos de caráter eleitoral pró-governo, onde uma falsa impressão de adesão é fabricada devido a censura que exercem sobre a participação dos comentaristas que desejam criticar ou rebater as informações.

Mais uma novidade no mundo do marketing empresarial e no mínimo uma falta de decoro perante as leis eleitorais, pois mistura política com negócios.

Depois reclamam quando chamamos aquilo de site chapa branca disfarçado, sob comando do PT. Nunca antes neste país, quiçá no mundo, um blog ganhou campanha de divulgação na televisão, um dos meios mais caros de veiculação de propaganda. Blog que é blog, já disse aqui, se faz na raça dentro do mundo virtual. É um meio alternativo de comunicação, que não comporta esse uso desmedido de poder econômico como o que está sendo feito pela Petrobras. Deixou de ser blog, definitivamente.

Petroboys eletrônicos

13 julho 2009

Através de um link postado em um dos comentários do post “De cara nova e alma velha” cheguei ao blog Imprensa Marrom, do Gravatai Merengue. O assunto abordado no link é o caso de supostos funcionários da Petrobras que estariam atacando, através da seção de comentários do blog de Merengue, pessoas e partidos políticos, além do próprio blogueiro.

Esse assunto é interessante e merece um pouco de reflexão. Já falei aqui que quando navegamos na internet, temos uma impressão digital que deixa rastros em todo e qualquer site visitados. Chama-se IP, sigla de Internet Protocol. Poderíamos dizer que IP é uma identificação que o servidor que lhe conecta à rede coloca em seu pescoço, uma coleirinha com um número que vai lhe acompanhar durante sua navegação. Sem essa “coleira”, você não entra na rede. Isso permite identificar alguns dados do internauta, como o país ou mesmo cidade de onde partem os dados do mesmo, seu provedor de acesso, e até informações da máquina utilizada, tais como o tipo de browser e sistema operacional. Websites de grandes companhias e importantes portais têm sempre uma nota de rodapé indicando qual a sua política em relação a essas informações. Adiante.

A maioria das ferramentas de gerenciamento de blogs exibe, para o blogueiro, algumas dessas informações. O WordPress, por exemplo, fornece alguns desses dados. Eles vêm em pacotes para uma conta de e-mail que eu tenho cadastrado. Não costumo verificar esses dados nem sequer abri-los, mas vez ou outra sou obrigado a dar uma checada para me certificar se links postados nos comentários são realmente verdadeiros, se levarão os que ali clicarem ao lugar correto. Faço isso por questões de segurança, para evitar que links maliciosos sejam colocados no ar nesse blog. Já até expliquei isso em post passado.

Pois bem, Gravatai fez uma pesquisa para saber de onde estavam vindo alguns ataques que vinha recebendo. Checou os IPs dos seus detratores para ao menos saber de que cidade os ataques partiam. É um direito do blogueiro fazer isso caso se sinta constrangido ou ameaçado. Num caso extremo (uma ameaça de morte, por exemplo), pode até usar esses dados para o pedido de uma investigação policial.

Na sua investigação particular, entretanto, Merengue descobriu algo interessante: Alguns dos comentaristas mais exaltados tinham IPs gerados dentro do servidor da Petrobras. Isso pode significar que são funcionários da empresa, em horário de trabalho, usando computadores da mesma para fazer política partidária de baixo nível. O blog Imprensa Marrom tem como assunto principal a política, e os comentários mal educados eram sempre atacando dentro desse tema. Mais especificamente, comentários de pessoas que defendem o PT irracionalmente.

O que isso significa de importante?

Seria a comprovação daquilo que já abordei aqui, das hordas de militantes que infestam blogs, sites, portais e comunidades sociais fazendo pregação ideológica rasteira. Jornais impressos e outros meios de comunicação também sofrem com isso, através de seus canais de contato com seus leitores/espectadores/ouvintes. É o famoso “aparelhamento” desses canais.

Esse aparelhamento é uma rotina, tão chata quanto os spams que recebemos diariamente nas nossas caixas de correio. Mas é um aborrecimento que faz parte do jogo democrático. O problema acontece quando descobrimos que pessoas empregadas em órgãos públicos usam o horário de trabalho e suas ferramentas para fazer isso. Atitude não republicana e nem moralmente aceita em sociedades com instituições mais avançadas.

Empresas no mundo todo costumam regular o acesso de seus funcionários à internet buscando preservar-se de atitudes do tipo. Um funcionário que usa o computador da empresa para fazer apologia do que quer que seja está, em tese, colocando a sua empresa dentro de uma polêmica que pode ser indesejável. É a mesma coisa que pegar papel timbrado e usar a máquina copiadora da empresa para imprimir manifestos que depois serão distribuídos mundo afora. Imagine a marca da empresa aparecendo, sei lá, na Marcha da Maconha, defendendo o uso dos charutinhos, hehehe.

Eu já havia notado nesse blog comentários vindos do servidor da Petrobras. Porém, como aqui discutimos justamente atitudes da empresa, e o blog é uma paródia do oficial de lá, isso não despertou nenhuma curiosidade adicional. É até salutar que o pessoal de lá venha aqui se manifestar. Mas se existem funcionários que estão freqüentando também outros blogs e espaços, principalmente ligados a questões políticas, sistematicamente defendendo o partido que está no comando aí a coisa é diferente e ganha importância. Seria a confirmação cristalina do aparelhamento político de órgãos estatais que tanto reclamamos.

Ainda bem que nós, que usamos regularmente a internet, acabamos desenvolvendo “faro” para distinguir uma interação sincera de uma manifestação profissional. Assim como spams, essa turma acaba não tendo credibilidade. Muitos desses comentaristas fazem parte de grupos organizados, alguns remunerados, cujo objetivo é somente fazer campanha eletrônica. Se estiverem a serviço de partidos políticos por ideal ou mesmo pagos POR ELES, nada demais. Como já disse, é só chateação. Mas se quem está pagando SOMOS NÓS, indiretamente através do imposto que pagamos para sustentar a máquina PÚBLICA… Aí amigo, pode não! E o blogueiro Gravatai Merengue tem toda a razão em dar visibilidade ao assunto.